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EMOÇÕES NA INFÂNCIA

Como trabalhar as emoções com as crianças

Como ajudar a criança a reconhecer o que sente, expressar suas necessidades e lidar com a raiva, a tristeza e a frustração.

Orientações para famílias e educadores · Educação Infantil e início da escolarização

01 · COMPREENDER

O que é regulação emocional?

Regulação emocional é a capacidade de lidar com o que sentimos e com a maneira como expressamos nossas emoções. Na infância, essa aprendizagem pode aparecer em atitudes simples, como pedir ajuda quando algo está difícil ou fazer uma pausa antes de voltar à brincadeira.

A criança desenvolve essa capacidade aos poucos, com o apoio dos adultos e as experiências do cotidiano. Mesmo uma criança que já consegue se acalmar em algumas situações pode precisar de ajuda em outras. [1]

O Referencial Curricular Norueguês, documento que orienta a Educação Infantil na Noruega, destaca que as crianças precisam de apoio para enfrentar dificuldades e conhecer suas próprias emoções e as dos outros. Também ressalta a importância de momentos de descanso e tranquilidade. [2]

02 · ACOLHER

Para aprender a se regular, a criança precisa de apoio

Chamamos de corregulação o apoio que o adulto oferece para ajudar a criança a lidar com suas emoções. Esse apoio envolve uma relação acolhedora, rotinas previsíveis e oportunidades de aprender novas maneiras de agir. Para ajudar, o adulto também precisa prestar atenção ao próprio tom de voz e às próprias reações. [1]

O que fazer quando a criança está muito abalada

  • Aproxime-se com calma e cuide da segurança.
  • Use frases breves, com tom de voz tranquilo.
  • Mostre que percebeu a dificuldade: “Parece que isso foi difícil para você”.
  • Coloque limites claros e retire objetos perigosos, se necessário.
  • Ofereça apoio sem impor abraço, toque ou contato visual.
  • Espere a criança ficar mais tranquila antes de fazer perguntas ou dar explicações longas.
“Você parece muito bravo. Estou aqui para ajudar. Não pode jogar o brinquedo nas pessoas. Vou colocá-lo aqui do lado e ficar perto de você.”

Sugestão de fala: use poucas palavras e adapte a linguagem ao que a criança consegue compreender naquele momento.

GUIA VISUAL · PARA FAMÍLIAS E EDUCADORES

Quatro passos para acolher as emoções

Um lembrete para o adulto: observe, escute e ajuste o apoio à resposta da criança. Você pode retomar um passo sempre que necessário.

Círculo de apoio às emoçõesQuatro passos em sentido horário: um, observar; dois, nomear; três, acolher; quatro, buscar soluções. No centro: presença, calma e segurança.PresençaCalmaSegurança1Observar2Nomear3Acolher4Buscarsoluções
Comece no alto e siga no sentido horário. Retome o acolhimento quando a criança precisar.
  1. Observar o que acontece

    Perceba as falas, os gestos e o contexto. Evite minimizar a experiência ou presumir o que a criança sente.

  2. Nomear com cuidado

    “Parece que você ficou triste. É isso?” Escute e aceite se a criança indicar outra emoção.

  3. Acolher e oferecer apoio

    Ofereça conforto, segurança e limites sem deixar de acolher: “Estou aqui. Você pode sentir raiva, mas não pode bater”.

  4. Buscar soluções depois

    Quando a criança estiver mais tranquila, pensem juntos: “O que pode ajudar da próxima vez?”. Dê espaço às ideias dela.

Síntese e organização visual do IM Digital, em português, a partir das orientações de Voksne for Barn. Ler a fonte em norueguês ↗

O que o Marte Meo nos convida a observar

O Marte Meo é um método criado por Maria Aarts que utiliza vídeos de situações do dia a dia para orientar adultos. Ao observar essas cenas, é possível identificar momentos em que a resposta do adulto pode apoiar a comunicação e o desenvolvimento da criança. [3]

Nesta página, usamos essa atenção às interações como ponto de partida para refletir sobre a prática. As orientações abaixo são propostas pedagógicas do IM, apoiadas também em outras referências; não são um roteiro oficial nem uma formação em Marte Meo.

O Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard também destaca a importância das trocas entre crianças e adultos: a criança olha, aponta, fala ou faz um gesto, e o adulto percebe e responde com atenção. [4]

01

Observar antes de interpretar

Registre ações e falas: “Quando perdeu o jogo, levantou a voz, empurrou as peças e saiu da mesa”. Evite transformar um episódio em um rótulo, como “ele é agressivo”. Separe o que observou das hipóteses sobre o que a criança sentiu.

02

Prestar atenção ao que interessa à criança

Antes de dar uma orientação, observe o que a criança está tentando fazer. Se ela está construindo uma torre e não quer parar, você pode dizer: “Você quer terminar a torre. Vamos combinar como guardar para continuar depois?”.

03

Ajudar a criança a nomear o que sente

Você pode dizer: “Parece que você ficou triste. Quer me contar?”. Dê espaço para a criança mostrar se é isso mesmo. Ela também pode se expressar apontando uma imagem, fazendo um gesto ou desenhando.

04

Acolher o sentimento e estabelecer limites

Diga com firmeza e calma: “Você pode ficar bravo, mas não pode bater. Vou ajudar você”. A criança precisa perceber que pode contar com o adulto e que ninguém deve ser machucado.

05

Dar tempo para responder

Depois de falar, espere. A criança pode precisar de tempo para compreender e responder. Se ainda estiver chorando intensamente ou muito agitada, ofereça companhia e deixe a conversa para depois.

06

Orientar com clareza

Avise antes de mudar de atividade e explique o próximo passo: “Daqui a pouco vamos guardar os brinquedos e sair para brincar”. Quando possível, ofereça uma escolha simples: “Você quer guardar os blocos ou os carrinhos?”.

MATERIAL GRATUITO · IM DIGITAL

Prancha: como estou me sentindo?

Seis emoções e três formas de pedir apoio. A criança pode apontar, falar ou mostrar como se sente.

Prancha com nove cartões: feliz, triste, com raiva, com medo, surpreso, tranquilo, não sei, preciso de ajuda e quero uma pausa.
Material ilustrado do IM Digital · Imagem PNG
Baixar a prancha gratuita ↓

No celular, você também pode abrir a imagem e usar a opção de salvar ou compartilhar. Para imprimir, escolha papel A4 e ajuste a imagem à página. Use a prancha inteira ou recorte os cartões.

Como usar com a criança

  1. Apresente a prancha em um momento tranquilo.
  2. Pergunte: “Quer mostrar como você está se sentindo?”.
  3. Espere e acolha a resposta, inclusive “não sei”. A criança também pode não escolher nenhum cartão.
  4. Se ela pedir ajuda ou uma pausa, responda ao pedido e ofereça apoio.

As imagens servem para conversar. Uma expressão facial, sozinha, não permite saber com certeza o que alguém sente. A prancha é uma proposta autoral ilustrada, não um instrumento de avaliação.

03 · PRATICAR

Atividades para conversar sobre as emoções

Faça essas propostas quando as crianças estiverem tranquilas e interessadas. O objetivo é conversar, brincar e descobrir maneiras de expressar sentimentos. Escolha uma atividade por vez e adapte-a ao grupo.

Cartões de emoções

Mostre cartões com diferentes expressões e pergunte: “Como você está se sentindo? Quer escolher uma imagem para me mostrar?”. A criança pode escolher, dizer que não sabe ou mostrar que nenhuma imagem combina com o que sente. Use os cartões para iniciar uma conversa, sem procurar uma resposta certa.

Espelho das emoções

Convide a criança a brincar diante do espelho: “Vamos fazer uma cara de surpresa?”. Também é possível usar bonecos ou personagens de histórias. A participação deve ser livre. Lembre-se de que as pessoas podem demonstrar a mesma emoção de formas diferentes.

Corpo e emoção

Em uma conversa tranquila, pergunte: “Quando você fica bravo, percebe alguma mudança no seu corpo?”. A criança pode contar, apontar ou desenhar. Escute sua resposta sem sugerir que todas as pessoas sentem a mesma coisa.

Descobrir o que ajuda a se acalmar

Experimentem juntos algumas possibilidades: beber água, desenhar, caminhar, apertar uma almofada ou sentar perto de um adulto. Algumas crianças gostam de respirar devagar ou contar; outras precisam de movimento ou silêncio. Observe o que ajuda cada uma, sem obrigá-la a usar uma estratégia.

Oferecer um lugar tranquilo

Organize um lugar com menos barulho e movimento, onde a criança possa fazer uma pausa. Um adulto deve continuar disponível para ajudar. Esse espaço é um recurso de cuidado, nunca um castigo. Não obrigue a criança a ficar sozinha.

Depois que a criança estiver mais tranquila

Retome a situação com calma e faça uma pergunta de cada vez: “O que aconteceu?” ou “O que ajudou você?”. Depois, ensine uma alternativa simples: “Quando estiver difícil, você pode dizer: preciso de ajuda”. Vocês podem praticar essa frase durante uma brincadeira.

Se a criança machucou alguém ou danificou um objeto, ajude-a a reparar os danos: verificar como o colega está, recolher as peças ou ajudar a consertar algo. Essas aprendizagens também podem ser trabalhadas nas histórias, nas brincadeiras e nas situações comuns do dia a dia.

04 · CASO FICTÍCIO

Quando perder o jogo é difícil

Registro: uma criança de seis anos perde um jogo, chora, grita e joga as peças no chão.

  1. Presença: “Estou aqui.” O adulto se aproxima com calma.
  2. Reconhecer a dificuldade: “Parece que perder foi difícil para você.”
  3. Limite: “Não pode jogar as peças. Vou afastá-las para ninguém se machucar.”
  4. Apoio: “Quer que eu fique aqui perto ou um pouco mais longe?”
  5. Tempo: o adulto reduz as perguntas e observa a resposta.
  6. Retomada: quando a criança está mais tranquila e consegue conversar, combinam uma alternativa: “Preciso de uma pausa” ou “Me ajuda”.

Em outro dia, proponha partidas curtas ou jogos em que todos colaboram. Combine antes como pedir uma pausa. Ajuste o desafio para que a criança consiga participar com apoio.

Observar para planejar o próximo passo

A observação ajuda a entender de que apoio a criança precisa. Considere também o ambiente: havia muito barulho? A mudança de atividade foi avisada? A criança conseguiu comunicar o que queria?

Registrar os fatos

O que aconteceu antes? O que a criança disse e fez? Como o adulto respondeu? O que mudou depois?

Pensar em possíveis explicações

Que hipóteses surgem? Havia cansaço, dificuldade de comunicação, barulho ou uma mudança inesperada? O que ainda precisamos observar?

Objetivos pedagógicos

  • Reconhecer e comunicar o que sente, com os recursos de que dispõe.
  • Perceber sinais do corpo, respeitando diferenças individuais.
  • Pedir ajuda e expressar necessidades.
  • Experimentar estratégias para lidar com frustrações.
  • Aprender a resolver conflitos com a ajuda do adulto.

Observe pequenas conquistas: pedir ajuda, mostrar o que precisa ou conseguir voltar à brincadeira. Compartilhe essas observações com a família e escute o que ela percebe em casa. Se as dificuldades forem frequentes, muito intensas ou prejudicarem a segurança e a participação da criança, procurem orientação profissional.

Proteção e cuidado na infância

Como acolher uma preocupação, registrar fatos e buscar ajuda na rede de proteção brasileira.

Ler orientações e baixar o registro →

PARA APROFUNDAR

Fontes e referências

Conteúdo pedagógico do IM Digital, elaborado a partir do texto de Juliana Hollen e das referências abaixo. Os exemplos de falas e atividades foram escritos para ajudar famílias e educadores a pensar em situações do cotidiano.

  1. Rosanbalm, K. D. & Murray, D. W. (2017). Co-Regulation From Birth Through Young Adulthood: A Practice Brief. OPRE 2017-80.

    Fundamenta a corregulação e o apoio do adulto ao longo do desenvolvimento. PDF em inglês.

  2. Udir (2017). Referencial curricular para a Educação Infantil — Bem-estar e saúde (original: Rammeplan for barnehagen — Livsmestring og helse).

    Referência curricular norueguesa sobre bem-estar, desafios, emoções e descanso. Em norueguês.

  3. Marte Meo International / Maria Aarts. About Marte Meo.

    Descrição institucional do método baseado em vídeo; não é, por si só, avaliação independente de eficácia. Em inglês.

  4. Center on the Developing Child, Harvard University. Serve and Return.

    Referência sobre trocas responsivas entre crianças e adultos. Em inglês.

  5. Voksne for Barn (Adultos pelas Crianças). Como acolher as emoções das crianças? (Original: Hvordan møter man barns følelser?)

    Base dos quatro passos do círculo de apoio. Consultada em 3 de outubro de 2026. Em norueguês.

Demais referências consultadas em 1º de outubro de 2026. Material educativo para apoiar a reflexão e o planejamento.

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